sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

A aliança expúria de Eduardo Cunha e FHC

Quando alguém diz, como Fernando Henrique, hoje nos jornais, que a presidente Dilma perdeu a capacidade de governar eu me pergunto: como é que alguém que já tinha sido presidente por quatro anos perdeu a capacidade de governar? Ela desaprendeu?
Ou será coincidência que essa sua incapacidade se revelou exatamente quando Eduardo Cunha assumiu a presidência da Câmara dos Deputados?

E então me pergunto de novo: será que alguém conseguiria governar o país com Cunha na presidência da Câmara?

Em apenas um ano o país conheceu melhor Cunha do que em vinte anos anteriores. Mas Fernando Henrique já o conhecia bem. Tanto o conhecia que o vetou em seu governo. Justamente por conhecê-lo melhor do que eu e você ele, inteligente e culto como é, deveria saber que Cunha é o grande responsável pelo caos que se instalou este ano, ao obstruir o governo Dilma.

Como estamos cansados de saber pelos jornais, obstruir é o verbo que ele conjuga melhor. Ele começou obstruindo o governo, depois tentou obstruir as investigações a respeito de suas contas secretas na Suíça, está obstruindo seu processo de cassação e obstruindo a tramitação constitucional do processo de impeachment. É o Sr.Obstrução!

Até por ordem cronológica dos acontecimentos, Cunha deveria ser afastado antes do que Dilma e, no entanto, o próprio Fernando Henrique esquece de Cunha e engrossa o coro dos insensatos que querem a cabeça da presidente. Nenhuma palavra contra Cunha, todas as pedras na Geni.

Os fanáticos do impeachment, que desde a deflagração do processo que a história irá julgar como espúrio - porque espúrio é esquecerem imediatamente todos os pecados de Cunha - tentam iludir o distinto público afirmando que o impeachment é uma coisa e Cunha é outra. Claro que não.

O impeachment joga todos os holofotes na presidente, diminuindo os dele. Ou seja: enquanto todos estão preocupados com o fato maior não terão tempo para dar atenção ao menor. E à medida em que se dá menos atenção ao processo de sua cassação, mais ele consegue manobrar para obstruir a sua condenação, que é certa. Mas que ele pretende obstruir até a próxima geração. Essa é a primeira vantagem que ele leva no impeachment. Mas não é a única.

A segunda vantagem é que, se o impeachment vingar assume o governo – se não for derrubado antes – seu maior amigo atualmente, o vice Michel Temer. E, cá entre nós, Temer não é de abandonar amigos feridos à beira da estrada. Bastará um lance no xadrez – afastar Rodrigo Janot – para Cunha ganhar fôlego e receber absolvição eterna.

Tendo a constatar que um homem de alto QI, tal como Fernando Henrique, sabe perfeitamente de tudo isso e, no entanto, ele não pede o impeachment de Cunha, pede o impeachment de Dilma. Ela que não foi acusada de nenhum desvio pessoal, que é o grande motivo de um impeachment, e de não obstruir nenhuma investigação está sendo linchada enquanto aquele do qual já vimos inúmeras provas de ter praticado toda espécie de ilícitos, de variados graus, à luz do dia e na calada da noite segue incólume, apoiado por um ex-presidente como Fernando Henrique.

Que decepção ouvir do ex-presidente, que deveria zelar pela tranquilidade da nação, dizer que o impeachment "precisa de clima", ou seja, povo na rua. Não é o que diz a constituição, presidente, o impeachment precisa de motivo forte e não de "clima", não de povo na rua.

É no mínimo uma grande irresponsabilidade um ex-presidente convocar os brasileiros para a rua, onde ninguém sabe o que pode acontecer e que consequências poderá gerar. Já vimos as cenas lamentáveis de agressão no Conselho de Ética onde atuam apenas 21 deputados.

Até tu, FHC?


Fonte:Brasil247

Share Button

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Deixe aqui um comebtário